Artigo

  • Migrantes barrados entre o Brasil e o Peru vivem uma situação que se agrava a cada dia

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    Migrantes barrados entre o Brasil e o Peru vivem uma situação que se agrava a cada dia – Por Luis Miguel Modino

    Uma situação muito difícil, muito tensa. Assim define a irmã Joaninha Honório Madeira o que está acontecendo na fronteira entre o Brasil e o Peru, no Estado do Acre, do lado brasileiro, e no Departamento de Madre de Dios, do lado peruano. Ali está, há várias semanas, um grupo que já está próximo de 500 pessoas. A cada dia chegam mais 20, 30 pessoas, de diferentes países, esperando continuar sua viagem para o Peru, que mantem a fronteira fechada.

    Do lado brasileiro, a cidade de “Assis Brasil não comporta mais tanta gente, a estrutura é pequena”, afirma a irmã da Imaculada Conceição. Ela relata o acontecido no dia 14 de fevereiro, algo que pode se repetir em qualquer momento. Diante do anúncio das autoridades peruanas que iriam abrir a fronteira, eles foram de madrugada para a ponte que une os dois países, onde esperaram para poder passar.

    Depois de três dias de espera, eles romperam a segurança do Peru e entraram em Iñapari, cidade do lado peruano. A polícia peruana, segundo a religiosa que faz parte da Rede Itinerante da Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM, “reagiu com violência, com gás lacrimogênio, com tudo o que você pode imaginar”. Uma situação muito difícil, segundo ela. Todos foram devolvidos para o lado brasileiro, alguns deles com muita violência. A irmã Joaninha relata que “houve 11 feridos, inclusive mulheres gestantes e uma criança pequena que recebeu um golpe da cabeça”.

    A religiosa afirma que “a sociedade civil de Iñapari reagiu fortemente diante dessa violência”. Enquanto isso, do lado brasileiro, os migrantes estão acolhidos em três albergues públicos. Alguns deles estão fazendo guarda na ponte, não deixando passar uma longa fila de caminhões, tanto do lado do Brasil como do Peru. Os caminhoneiros estão pressionando o prefeito de Assis Brasil, que já ameaçou com tirar o pessoal da ponte e dos albergues públicos com força, segundo a religiosa, algo que fere as leis migratórias. A situação está sendo acompanhada desde o início pela Equipe Itinerante, da qual faz parte a irmã Joaninha, que insiste em que “é algo que nos desborda totalmente”.

    Na fronteira, que alguns estão passando clandestinamente, “além da pandemia existe racismo e preconceito, especialmente com os haitianos e africanos”, insiste a irmã Joaninha Honório Madeira. Mesmo com a ponte fechada, o fluxo Brasil-Peru está se dando pelo rio de canoa, algo que não faz sentido, segundo ela. Essa situação está provocando a exploração dos migrantes que pagam quantidades absurdas para atravessar o rio e mais tarde para continuar sua viagem. Uma travessia que custa um dólar para quem mora lá, estão cobrando de 40 a 50 dólares para atravessar um haitiano, denuncia a religiosa. Uma vez atravessado, de Iñapari para Puerto Maldonado, que são 3 horas de viagem, que o custo é de mais ou menos 10 dólares, deles se cobra de 200 a 300 dólares por pessoas, afirma a irmã Joaninha.

    Segundo ela, “isso significa tráfico de pessoas. A fronteira está lucrando com essa situação de pandemia e de fronteira fechada”. Nos últimos dias surgiram rumores que o Peru, até agora irredutível, pode abrir a fronteira nos próximos dias, o que está fazendo com que os migrantes se organizem, dado que “a situação está insustentável”, insiste a religiosa. “Quem não tem filhos estão conseguindo passar, mas alguns estão sendo trazidos de volta para a ponte. Brasil está poiando aqueles que querem voltar para o local de onde vieram, São Paulo, Rio de Janeiro…, mas eles não querem voltar, querem seguir adiante”, segundo a irmã Joaninha, que denuncia a grave situação que vivem os migrantes.

  • O Grito da Floresta: Vozes da Amazônia

    Por Luis Miguel Modino

    A situação que a região Pan-Amazônica está vivendo como consequência da segunda onda da Covid-19 na região, provocou o posicionamento de diferentes organizações: Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica – COICA, Fórum Social Pan-Amazônico – FOSPA, Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM, e a Assembleia Mundial pela Amazônia. Juntos organizaram o evento “O Grito da Floresta: Vozes da Amazônia“, que reuniu virtualmente, nos dias 26 e 27 de fevereiro participantes de diferentes países da região, bem como de outros países do mundo.

    No seu discurso, o vice-presidente da REPAM pediu a Deus “que nos desse a força e sabedoria para defender os direitos destas terras amazônicas“. Dom Rafael Cob, que afirmou que “sabemos que cada um de nós não pode fazê-lo sozinho“, sublinhou que “unidos alcançaremos os objetivos que propomos para criar uma fraternidade onde todos nos sentimos irmãos, onde Deus Criador, que nos deu este maravilhoso Planeta, sabe como cuidar dele, como defendê-lo e como amá-lo“.

    O bispo do Vicariato de Puyo, na Amazônia equatoriana, recordou o que foi dito no Sínodo Amazônico, onde ele foi padre sinodal. Aí se afirmou que “a Igreja quer ser aliada dos povos amazônicos, acompanhá-los e também estar com eles na defesa dos direitos da nossa natureza e dos povos que vivem na Amazônia“.

    O bispo pediu “que o Senhor possa continuar a abençoar-nos e a dar-nos a sua força e que todos nós, unidos também ao Papa Francisco, que nos ilumina com a sua palavra e o seu exemplo, possamos deixar pegadas para que aqueles que vierem depois de nós possam verdadeiramente construir um mundo melhor, um mundo onde reine a paz, onde reine a justiça, onde se faça progresso global com aquela ecologia integral de que o nosso planeta precisa hoje“.

    Dom Rafael Cob concluiu o seu discurso dizendo “que Deus Pai, Criador deste universo e das nossas vidas, continue a ajudar-nos com o sopro do seu poder e que cada um de nós viva essa comunhão e essa harmonia que Deus Criador nos deu para vivermos como povos fraternos“.

    O evento foi um momento para “exigir que a humanidade ouça a nossa voz“, segundo José Gregório Díaz Mirabal. O coordenador da COICA pediu que, face à crise estrutural que o planeta atravessa, “nos ajudem a exigir os direitos da natureza, dos povos“. Nas suas palavras denunciou as invasões que os territórios dos povos originários e comunidades tradicionais estão sofrendo e exigiu soluções para a crise de saúde que a Amazônia está atravessando neste momento.

    Estas palavras foram endossadas por German Niño, que disse que “sentimos o nosso apelo a preservar a vida natural e as diversas culturas da Amazônia”. O representante do FOSPA insistiu que “o bater do coração da Amazônia é o bater do coração da civilização atual”, apelando para “poder falar de forma integral na diversidade”. Niño apelou ao mundo para “abrir os seus ouvidos, olhos e portas para poder sentir a importância deste processo”. Em sua opinião, “a Amazônia tem que ser defendida em todo o planeta, deve deixar de ser vista como um reservatório de matérias-primas para o mundo”.

    No encontro virtual, foram apresentadas diferentes realidades, tais como o trabalho que a REPAM vem realizando no monitoramento dos casos e mortes como consequência do Covid-19 na Pan-Amazônia há quase um ano, apesar das dificuldades encontradas nos organismos públicos, que nem sempre são claros nas suas informações. Também o trabalho que a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia BrasileiraCOIAB tem feito no mesmo sentido, denunciando a grave realidade que se vive no país com mais casos e mortes na região.

    A pandemia também demonstrou a falta de infraestruturas na Amazônia, os conflitos e ameaças, que não pararam na pandemia, algo que se manifesta em diferentes realidades que ameaçam a vida na região. De fato, o tratamento da pandemia em alguns países da região, especialmente no Brasil, pode ser considerado um genocídio, como afirmou o cientista Antônio Nóbrega, que denunciou “a falta de humanidade e perversidade na situação atual“. Muitas pessoas começam a perceber a realidade, disse ele, defendendo a necessidade de estudar com os sábios indígenas, reconhecendo a importância da sua sabedoria milenar.

    Diferentes líderes indígenas mostraram a realidade que se vive na Amazônia, denunciando o impacto do agronegócio e dos incêndios, estradas, petróleo, infraestruturas, barragens hidroelétricas, algo que afeta especialmente os povos em isolamento voluntário, e que está custando a vida de muitas pessoas, incluindo defensores e defensoras dos direitos humanos, cada vez mais ameaçados numa região onde os efeitos das mudanças climáticas estão a levá-la a um ponto sem retorno. Diferentes elementos e situações que foram recolhidos num manifesto que o coordenador geral da COICA deu a conhecer.

  • As 100 melhores frases do Papa Francisco na FRATELLI TUTTI

    FRASES PROFUNDAS E SÁBIAS DO PAPA FRANCISCO NA ENCÍCLICA FRATELLI TUTTI
    Por Ivo Pedro Oro, na sua página no FB, 26 fev 2021.

    1. Cuidar do mundo que nos rodeia e nos sustenta significa cuidar de nós mesmos. (17
    2. Empanturramo-nos de conexões e perdemos o gosto da fraternidade. (33)
    3. O princípio do ‘salve-se quem puder’ traduz-se rapidamente no ‘todos contra todos’, e isso será pior que uma pandemia. (36)
    4. Às vezes, na comunicação digital quer-se mostrar tudo e esvai-se o respeito pelo outro. (42)
    5. A conexão digital não é suficiente para construir pontes, não é capaz de unir a humanidade. (43)
    6. A verdadeira sabedoria pressupõe o encontro com a realidade. (47)
    7. Criou-se um novo estilo de vida, em que cada qual constrói o que deseja ter à sua frente. (49)
    8. A acumulação esmagadora de informações que nos inundam não significa maior sabedoria. (50)
    9. Uma maneira fácil de dominar alguém é destruir sua autoestima. (52)
    10. Não há alienação pior do que experimentar que não se tem raízes, não se pertence a ninguém. (53)
    11. Cerca-nos a tentação de nos desinteressar pelos outros, especialmente pelos mais frágeis. (64)
    12. Estamos numa sociedade enferma, que procura construir-se de costas para o sofrimento alheio. (65)
    13. A vida não é tempo que passa, mas tempo de encontro. (66)
    14. É preciso indignar-nos e descer da nossa serenidade, alterando-nos com o sofrimento humano. Isso é dignidade. (68)
    15. Existem simplesmente dois tipos de pessoas: aquelas que cuidam do sofrimento e aquelas que passam ao largo. (70)
    16. O fato de crer em Deus e adorá-lo não é garantia de viver como agrada a Deus. (74)
    17. As dificuldades que parecem enormes são a oportunidade para crescer, mas não o façamos sozinhos, individualmente. (78)
    18. Deixemos de ocultar a dor das perdas e assumamos nossos delitos, desmazelos e mentiras. (78)
    19. Todos temos uma responsabilidade pelo ferido que é o nosso povo e todos os povos da terra. (79)
    20. É importante que a catequese e pregação incluam, de forma mais direta e clara, o sentido social da existência, a dimensão fraterna da espiritualidade e a convicção sobre a dignidade inalienável de cada pessoa humana. (86)
    21. Não posso reduzir a minha vida à relação com um pequeno grupo, nem mesmo com minha própria família. (89)
    22. Os grupos fechados são formas idealizadas de egoísmo e mera autoproteção. (89)
    23. O amor nunca deve ser colocado em risco, o maior perigo é não amar. (92)
    24. Aqueles que são capazes apenas de ser sócios criam mundos fechados. (104).
    25. O individualismo radical é o vírus mais difícil de vencer. (105)
    26. Se o direito de cada um não está harmoniosamente ordenado para o bem maior, acaba por conceber-se sem limitações e, por conseguinte, tornar-se fonte de conflito e violência.(111)
    27. As famílias constituem o primeiro lugar onde se vivem e se transmitem os valores do amor e da fraternidade, da convivência e da partilha, da atenção e do cuidado pelo outro. (114).
    28. O direito à propriedade privada só pode ser considerado como um direito natural secundário e derivado do princípio do destino universal dos bens criados. (120)
    29. Ninguém pode ser excluído, não importa onde tenha nascido. (121)
    30. É possível desejar e sonhar um planeta que garante terra, teto e trabalho para todos. (127)
    31. “Nossos esforços a favor das pessoas migrantes podem resumir-se em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.” (129)
    32. “As várias culturas, cuja riqueza se foi criando ao longo dos séculos, devem ser salvaguardadas para que o muno não fique mais pobre.” (134)
    33. “Hoje, ou nos salvamos todos ou não se salva ninguém.” (137)
    34. “É preciso que exista o fator da ‘gratuidade’: a capacidade de fazer algumas coisas simplesmente porque são boas em si mesmas, sem preocupação com ganhos e recompensas pessoais.” (139)
    35. “Quem não vive a gratuidade fraterna transforma a sua existência em um comércio cheio de ansiedade: está sempre medindo aquilo que dá e o que recebe em troca.” (140)
    36. “Só poderá ter futuro uma cultura sociopolítica que inclua o acolhimento gratuito.” (141)
    37. “Sentido positivo do direito de propriedade: guardo e cultivo algo que possuo, a fim de que possa ser uma contribuição para o bem de todos.” (143).
    38. “Sem o relacionamento e o confronto com quem é diferente, torna-se difícil ter um conhecimento claro e completo de si mesmo e de sua terra.” (147)
    39. “A própria identidade cultural aprofunda-se e enriquece-se no diálogo com os que são diferentes.” (148)
    40. “O risco de viver protegendo-nos uns dos outros, vendo os outros como concorrente ou inimigos perigosos, é transferido para o relacionamento com os povos da região. Talvez tenhamos sido educados nesse medo e nessa desconfiança.” (152)
    41. “Para se tornar possível o desenvolvimento de uma comunidade mundial (…) é necessária a política melhor, a política colocada a serviço do verdadeiro bem comum.” (154)
    42. “Degenera em um populismo insano, quando se transforma na habilidade de alguém de atrair consensos a fim de instrumentalizar politicamente a cultura do povo, sob qualquer sinal ideológico, a serviço do seu projeto pessoal e da sua permanência no poder.” (159)
    43. O trabalho “não é só um modo de ganhar o pão, mas também um meio para o crescimento pessoal, para estabelecer relações sadias, expressar a si mesmo, partilhar dons, sentir-se corresponsável no desenvolvimento do mundo e, finalmente, viver como povo.” (162)
    44. A caridade “implica um caminho eficaz de transformação da história que exige incorporar tudo: instituições, direito, técnica, experiência, contribuições pessoas, etc…” (164)
    45. “O perigo maior não está nas coisas, nas realidades materiais, nas organizações, mas no modo como as pessoas se servem delas.” (166)
    46. “A especulação financeira, tendo a ganância de lucro fácil como objetivo fundamental, continua a fazer estragos.” (168)
    47. Os movimentos populares “são semeadores de mudança, promotores de um processo para o qual convergem milhões de pequenas e grandes ações interligadas de modo criativo, como uma poesia.” (169)
    48. “Nenhum indivíduo ou grupo humano pode-se considerar onipotente, autorizado a pisar a dignidade e os direitos dos outros indivíduos ou dos grupos sociais.” (171)
    49. “A justiça e um requisito indispensável para se realizar o ideal da fraternidade universal.” (173)
    50. “A política não deve submeter-se à economia, e esta não deve submeter-se aos ditames e ao paradigma eficientista da tecnocracia.” (177)
    51. “A terra é um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte.” (178)
    52. “Um individuo pode ajudar uma pessoa necessitada, mas quando se une a outros para gerar processos sociais de fraternidade e justiça para todos, entre no campo da caridade mais ampla, da caridade política.” (180)
    53. “É caridade também tudo o que se realiza – mesmo sem ter contato direto com a pessoa – para modificar as condições sociais que provocam os eu sofrimento.” (186)
    54. “Cuidar da fragilidade dos povos e das pessoas. Cuidar da fragilidade quer dizer força e ternura, luta e fecundidade, no meio de um modelo funcionalista e individualista que conduz inexoravelmente à cultura o descarte.” (188)
    55. “Quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando==o como uma mercadoria qualquer, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome.” (189)
    56. “Comprometamo-nos a viver e ensinar o valor do respeito, amor capaz de aceitar as várias diferenças, a prioridade da dignidade de todo ser humano sobre quaisquer ideias, sentimentos, atividades e até pecados que possa ter.” (191)
    57. “Não nos acostumemos a viver fechados em um fragmento de realidade.” (191)
    58. “A ternura é o caminho que percorrem os homens e as mulheres mais corajosos e fortes.” (194)
    59. “Se consigo ajudar uma pessoa a viver melhor, isso já justifica o dom da minha vida.”(195).
    60. “As perguntas, talvez dolorosas, serão: Quanto amor coloquei no meu trabalho? Em que fiz progredir o povo? Que marcas deixei na vida da sociedade?” (197)
    61. “Muitas vezes confunde-se diálogo com algo muito diferente: uma troca de opiniões exaltadas nas redes sociais, muitas vezes causada por uma informação da mídia nem sempre confiável.” (200)
    62. “Predomina o costume de difamar rapidamente o adversário, com adjetivos humilhantes, em vez de promover um diálogo aberto e respeitoso.” (201)
    63. O diálogo “impede que os vários setores se instalem, cômodos e autossuficientes, na sua maneira de ver as coisas e nos seus interesses limitados.” (203)
    64. “O relativismo não é a solução…, acaba-se por deixar que os valores morais sejam interpretados pelos poderosos segundo as conveniências de momento.” (206)
    65. Uma sociedade é nobre e respeitável porque cultiva a busca da verdade e seu apego às verdades fundamentais.” (207)
    66. “Temos que ter prática de desmascarar as várias formas de manipulação, distorção e ocultação da verdade nas esferas pública e privada.” (208)
    67. “Que todo ser humano possui uma dignidade inalienável é uma verdade que corresponde à natureza humana.” (213)
    68. “Quem vive nas periferias tem outro ponto de vista, vê aspectos da realidade que não se descobre a partir dos centros de poder onde se tomam as decisões determinantes.” (215).
    69. “Integrar as realidades diferentes é muito mais difícil e lento, embora seja a garantia de uma paz real e sólida.” (217)
    70. “Armemos nossos filhos com as armas do diálogo! Vamos ensinar-lhes o bom combate do encontro!” (217)
    71. “Os povos nativos não são contra o progresso, eles têm uma ideia diferente de progressos. (…) Não é uma cultura orientada para o bem daqueles que detêm o poder.” (220)
    72. Um pacto social exige que se respeite a diversidade, oferecendo-lhe caminhos de promoção e integração social.” (220)
    73. No diálogo, “Ser fiel a seus princípios, mas reconhecendo que o outro também tem o direito de procurar ser fiel aos dele.” (221)
    74. O exercício da amabilidade “facilita a busca de consensos e abre caminhos onde a exasperação destrói todas as pontes.” (224)
    75. “Cada ato de violência cometido contra um ser humano é uma ferida na carne da humanidade.” (227)
    76. A cultura do encontro “exige que, no centro e toda ação política, social e econômica, se coloque a pessoa humana, a sua sublime dignidade e o respeito pelo bem comum.” (232)
    77. “Jesus Cristo nunca convidou a fomentar a viol6encia u a intolerância.” ((238).
    78. “Amar um opressor não significa consentir que continue a oprimir, nem o levar a pensar que é aceitável o que faz.(…) É procurar que deixe de oprimir, tirar-lhe o poder que não sabe usar e que o desfigura como ser humano.” (241).
    79. “O rancor só me faz mal, é um pedaço de guerra dentro de mim, é um fogo no coração que deve ser apagado a fim de não irromper em um incêndio.” (243).
    80. “Toda guerra deixa o mundo pior do que o encontrou. É um fracasso da política e da humanidade.” (261)
    81. As várias religiões “oferecem uma preciosa contribuição para a construção da fraternidade e da defesa da justiça na sociedade.” (271)
    82. “O objetivo do diálogo é estabelecer amizade, paz, harmonia e partilhar valores e experiências morais e espirituais em espírito de verdade e amor.” (271)
    83. “Se não se reconhece a verdade transcendente, triunfa a força do doer, e cada um tende a aproveitar-se ao máximo dos meios à sua disposição para impor o próprio interesse ou opinião, sem atender aos direitos dos outros.” (273)
    84. “Buscar a Deus com o coração sincero, desde que não o ofusquemos com os nossos interesses ideológicos ou instrumentais, ajuda a reconhecer-nos como companheiros de estrada, verdadeiramente irmãos.” (274)
    85. “Entre as causas mais importantes da crise do mundo moderno, se contam uma consciência humana anestesiada e o afastamento dos valores religiosos.” (275)
    86. “Embora a Igreja respeite a autonomia da política, não relega a sua missão para a esfera do privado.” (276)
    87. Do Evangelho de Cristo “brota (…) o primado reservado à relação, ao encontro com o mistério sagrado do outro, à comunhão universal com a humanidade inteira, como vocação de todos.” (277)
    88. “As coisas que temos em comum (entre as religiões) são tantas e tão importantes que é possível identificar um caminho de convivência serena, na aceitação das diferenças e na alegria de sermos iramos porque somos filhos de um único Deus.” (279)
    89. “No processo de globalização falta ainda a contribuição profética e espiritual da unidade entre todos os cristãos.” (280)
    90. “Temos o dever de oferecer um testemunho comum do amor de Deus por todas as pessoas, trabalhando em conjunto a serviço da humanidade.” (280)
    91. “Deus não olha com os olhos, olha com o coração.” (281)
    92. “A verdade é que a violência não encontra fundamento algum nas convicções religiosas fundamentais, mas nas suas deformações.” (282)
    93. “Somos desafiados a retornar às nossas fontes para nos concentrarmos no essencial: a adoração a Deus e o amor ao próximo.”
    94. “O culto sincero e humilde a Deus ‘leva não à discriminação, ao ódio e à viol6encia, mas ao respeito pela sacralidade da vida, pela dignidade e pela liberdade dos outros e a um solícito compromisso em prol do bem-estar de todos.” (283)
    95. “O terror e o pessimismo não se devem à religião (…), mas têm origem em interpretações erradas de textos religiosos, nas politicas de fome, de pobreza, de injustiça, de opressão, e arrogância.” (283)
    96. “Às vezes, a viol6encia fundamentalista desencadeia-se em alguns grupos de qualquer religião pela imprudência dos seus líderes.” (284)
    97. “Cada um de nós é chamado a ser artífice da paz, unindo e não dividindo, extinguindo o ódio em vez de conservá-lo, abrindo caminhos de diálogo em vez de erguer novos muros.” (284)
    98. Sentimentos e atitudes de hostilidade “são fruto de desvio dos ensinamentos religiosos, do uso político das religiões e também das interpretações de grupos de homens de religião que abusaram da influência do sentimento religioso sobre os corações dos homens.” (285)
    99. “Deus, o Todo-Poderoso, não precisa ser defendido por ninguém e não quer que o seu nome seja usado para aterrorizar as pessoas.” (285)
    100. “Somente identificando-se com os últimos é que se chega a ser irmão de todos.” (287).
  • A incompatibilidade do atual modelo econômico com a sustentabilidade do planeta Terra

     

    A incompatibilidade do atual modelo econômico com a sustentabilidade do planeta Terra*
    Por Antonio Salustiano Filho**

    No contexto do sistema econômico atual, vivemos obcecados com a ideia de progresso e com o aperfeiçoamento da humanidade, numa ótica de crescimento econômico ilimitado e a qualquer custo e, assim, acreditamos no “vale tudo” para atingir essa meta ambiciosa do ser humano condicionado à cultura do sistema vigente. Daí quase nada do que fazemos, dentro dessa ótica, é sustentável.

    Importa dizer que essa concepção de crescimento econômico a qualquer custo é fruto da ideologia da chamada civilização ocidental de caráter patriarcal e viés produtivista, consumista e depredador da natureza, tendo o ser humano (enquanto espécie) como centro do universo e em torno do qual circulam – em condições de subalternos e subjugados – os demais seres da natureza. É a ideologia desse modelo de desenvolvimento que nos faz acreditar que o bem-estar dos seres humanos está nessa aventura do crescimento ilimitado da produção sem nos ocupar com a depredação do patrimônio comum da humanidade, o Planeta.

    Essa ideologia “é a significação imaginária social mais importante forjada pela burguesia, produzindo e difundindo a ideia de que o crescimento ilimitado da produção e das forças produtivas é a norma natural e é, de fato, o objetivo central da vida humana.” (CASTORIADIS, 1982).

    Vivemos alienados a essa ideia de desenvolvimento com a promessa de felicidade no nosso desejo de consumo e nosso senhorio sobre a natureza.

    A utopia desse modelo econômico prometeu que o desenvolvimento das forças produtivas e a expansão da esfera econômica libertariam a humanidade da escassez, da injustiça e do mal estar. Dominando a natureza, a humanidade teria poderes soberanos sobre si própria (RIST, 1996).

    Crescimento/desenvolvimento são termos oriundos da economia que entre nós é capitalista, regulada pelos mercados mundialmente articulados. Sua lógica interna é fundamentada na exploração sistemática e ilimitada da natureza, tirando desta os recursos naturais até a exaustão e devolvendo-lhe seus rejeitos (lixos) altamente nocivos.  Nessa relação economia/natureza verificamos a destruição dos ecossistemas com toda a biodiversidade e espécies. Trata-se de um sistema competitivo que com a voracidade que lhe é peculiar está deixando a Terra completamente devastada, imprópria para a vida, especialmente para o ser humano.

    A velha concepção de sociedade, sedimentada na ideia cega, surda e insensível é que “tempo é dinheiro” e “tudo é mercadoria” fez com que se montasse essa máquina industrialista que, de forma sistemática e agressiva ao meio ambiente, tira da natureza até o seu esgotamento total, tudo o que ela pode dar, pois o que importa é o máximo de lucro como o menor custo possível num tempo curto.

    “Tendo na economia seu valor maior, as sociedades contemporâneas têm ignorado as irreversibilidades ambientais decorrentes de suas ações. A intensa utilização de elementos não-renováveis e a contínua e generalizada degradação e transformação ambiental evidenciam esta desconsideração.” (TIEZZI, 1988).

    Esquecemos, ou nunca soubemos – dada nossa condição de homo sapiens e demens – que

    “a dinâmica da natureza é regida por leis diferentes das que regem a economia, e quanto mais rápido consumirmos os recursos materiais e energéticos, menos tempo estará disponível para nossa sobrevivência. Os limites dos recursos e os limites da resistência de nosso planeta indicam claramente que, se acelerarmos os fluxos de energia e matéria no sistema Terra, estaremos encurtando o tempo real disponível para a espécie humana. Um organismo que consome seus meios de subsistência mais rápido do que o ambiente os produz, não tem possibilidade de sobreviver”. (TIEZZI, 1988)

    A dimensão ecológica nunca foi parte do desenvolvimento preconizado pelo atual sistema econômico. Trata-se de um sistema em que a tecnologia é tida como impulsionadora da produção e da produtividade. A natureza é vista apenas como fator passivo de exploração (MONTIBELLER-FILHO, 2008) e não é contabilizada no custo da produção.

    Assim essa sociedade, onde tudo é mercadoria e alguns indivíduos (seus mentores) têm uma fome voraz de lucro, não terá a resposta para os problemas da Terra, pois ela (a sociedade) é a geradora do problema. A ideia de uma economia verde, ou ecológica, é um subterfúgio. Um discurso para cooptar o movimento ambientalista/ecológico em prol da sustentabilidade discursiva e antropocêntrica forjada pelos depredadores da natrureza.

    Para os mentores dessa sociedade econômica não dá para abrir mão do lucro em favor de um modelo econômico que reverta o processo de extinção de toda a vida na terra. Em nome da acumulação desenfreada de riqueza milhões de vidas humanas e milhares de espécie da biodiversidade são sacrificadas no altar do mercado. Tudo em nome do deus dinheiro.

    Bibliografia Citada

    CASTORIADIS, Cornelius.  A Instituição imaginária da sociedade. São Paulo: Paz e Terra, 1982, pp. 418.

    MONTIBELLER-FILHO, Gilberto. O Mito do desenvolvimento sustentável: meio ambiente e custos sociais no moderno sistema produtor de mercadorias. 3. Ed. rev. e atual. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2008, pp.326.

    RIST, Gilbert. Le développement, Histoire d’une croyance occidentale, Paris: Presses de Sciences Po, 1996.

     TIEZZI, Enzo. Tempos históricos, tempos biológicos. A terra ou morte: os problemas da nova ecologia. São Paulo: Nobel, 1988, pp. 279.

     

    * O presente artigo é parte de um texto maior, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de pós-graduação em Direito Ambiental (Latu Sensu), na UNIMEP – Universidade Metodista de Piracicaba. Publicado originalmente no Diário de Santa Bárbara. Santa Bárbara do Oeste-SP, 25/02/2021.

    **ANTONIO SALUSTIANO FILHO, Advogado, ambientalista e membro das CEBs do Regional Sul-1 (estado de São Paulo).

  • Nota da Rede Brasileira de Fé e Política

    “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”.

    As entidades e organismos que compõem a Rede Brasileira de Fé e Política (REFEP), vêm manifestar total apoio a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021, liderada pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC).

    Ademais, manifestam apoio integral e solidariedade à pastora Romi Bencke, atacada por setores religiosos ultraconservadores.

    A Rede Brasileira de Fé e Política entende que a Campanha da Fraternidade Ecumênica é um avanço importante para a unidade dos cristãos e cristãs no Brasil.

    Em sintonia com a Campanha da Fraternidade Ecumênica defendemos que os pobres, os povos indígenas, a comunidade afrodescendente e os segmentos vulneráveis da sociedade, entre os quais a população LGBTQI+, são o fundamento da práxis cristã. Neste sentido, a Campanha da Fraternidade Ecumênica é passo importante para se refletir sobre as mazelas históricas que fazem do Brasil, profundamente cristão, um dos países mais violentos, desiguais e injustos do mundo.

    Que a Campanha seja instrumento da unidade de todas as pessoas que buscam no diálogo e na paz a construção de um país onde “todas e todos tenham vida e vida em abundância”.

    “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Efésios, capítulo 2, versículo 14).

    O Iser Assessoria faz parte da Rede Brasileira de Fé e Política
    https://fepolitica.org.br/secao-de-publicacoes/conjuntura/

  • Erika Gloria Rocha dos Santos
    O BBB e a tentativa de redução das lutas negras

     

    As mídias sociais protagonizadas pelas comunidades negras, com uma forte presença artística, estão, há mais ou menos duas semanas, envolvidas no dia a dia de tudo que acontece no BBB. Todo esse envolvimento se dá porque qualquer mano ou mana que sofra, nós sentimos na carne esse sofrimento. Faz parte da nossa história de dor e luta.

    Embora eu esteja acompanhando, até com participação em grupo de específico de Whats App, pouco tenho me pronunciado sobre essa bomba que explodiu no nosso colo, e sem opção de escolha estamos envolvides.

    Mas ontem duas provocações me fizeram discorrer algumas palavras para ajudar na reflexão. Uma amiga da faculdade, estranhando o silêncio, me procurou para saber minha opinião. E uma mana das antigas reagiu a um storie com a seguinte frase: “Amiga, esse BBB fudeu com nossa militância. Tô passada!”. Essa última foi um soco direto no meu estômago…

    Hoje acordamos com a notícia que @lucas havia saído do programa. Após mais uma vez ser indagado, de forma violenta e desonesta pelas “proprietárias” das certezas do que consideram certo ideologica e politicamente. Lucas, em um ato corajoso, apresentou para o mundo sua orientação bissexual. Como pode uma pessoa considerar esse ato um jogo de cena?  Vivemos em um país moralmente preconceituoso em que a população LGBTQIA+ sofre os mais altos índices de violação dos direitos e diversas violências. O ato de Lucas deve ser considerado uma rebeldia libertadora! Um amigo hoje dizia: “Lucas não pediu para sair, ele foi expulso. Pois todo o seu processo de saída foi antecedido por muita violência psicológica”.

    Está sendo muito pesado para nós pertencentes às comunidades negras, onde protagonizamos o combate ao racismo estrutural diariamente, ver nossos manos e manas pretos promoverem um show de horrores! Sim, estamos decepcionades. Sonhamos com um lindo Quilombo num reality show, onde a lógica capitalista nos impulsiona mais uma vez para uma disputa, muitas vezes desonrosa e antiética.  Está dito, e essas pessoas terão enormes desafios aqui fora, tendo que se retratar com fãs, seguidores, amiges e etc.. Mas quero relembrar uma das primeiras publicações da @TiaMá, que nos alertava para não criarmos muitas expectativas quanto ao número de pretos e pretas no BBB. Somos diferentes, nem todo mundo tem a propriedade das discussões raciais e muito menos as práticas antiracistas.

    Mas aqui quero me ater a algo mais sério. Provocar alguns desafios postos a todes nós, a partir de um programa que deveria ser de entretenimento mas que, no momento, só nos causa dor… uma dor coletiva e alimentada propositalmente.

    A Rede Globo estrategicamente colocou um número considerável de pretos e pretas no jogo, com a intenção de nos fragilizar e dividir. Não digo isso para reduzir todo o processo violento cometido contra o Lucas, mas precisamos nos questionar sobre quem sai perdendo com tudo isso. Todos esses dias de audiência serviram para reforçar o auto-ódio, a divisão entre nós, a criminalização dos movimentos raciais, e os estereótipos do tipo: “Tá vendo? O preto violenta o próprio preto. Eles são os primeiros racistas.” Destaco ainda a lógica perversa que sobressairá sobre nós, mulheres pretas militantes. Nos enganamos quando achamos que somente Lumena e Karol perderão com o que elas cometeram na casa!

    Infelizmente o mundo aqui fora segue, e a perversidade do racismo continua nos matando. Meninos como o Lucas estão por aí, nas periferias e quebradas, precisando de auxílio e acolhimento. Não nos esqueçamos, enquanto essa bomba rola: três meninos pretos de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, continuam desaparecidos.

    Com uma quantia considerável, Bolsonaro ganhou à presidência da Câmara e do Senado. O pacote de maldades seguirá sem interferências;

    A Juventude negra é exterminada em proporção muito superior à dos jovens brancos. A fome e o desemprego nos assolam ainda mais nesse período de pandemia. O Brasil lidera o triste ranking de ser o país que mais mata transexuais e travestis no mundo!

    Diante desse cenário, gostaria de apontar alguns desafios:

    O acolhimento ao Lucas já está sendo feito pela comunidade artista e por grande parte da sociedade, que se identificou com a dor dele. A solidariedade sempre foi nosso mote. Mas insisto que a situação do Lucas deve ser um alerta para olharmos com carinho para outras juventudes adoecidas emocionalmente;

    Outras pautas raciais seríssimas estão em jogo, não podemos permitir nos perdermos por conta da promoção intencional das nossas fragilidades;

    Nós militantes pretos e pretas devemos nos atentar para a relação entre discurso e prática. Muitos de nós não falamos e nem defendemos mais quem verdadeiramente é nosso público. A arrogância há tempos nos assombra e nós temos uma dificuldade enorme de autoavaliação;

    Sei que vou apanhar nessa: até para exigirmos de KarolcomKa, Nego Di, Lumena e Projota, devemos ser fraternos. O discurso punitivo a esses não mudará o mal que esse programa nos causou. O sistema já cumpre esse papel punitivo de forma bem orquestrada.

    Enquanto refletia sobre os acontecimentos do BBB, as dores, angústias e brigas causadas entre nós, maratonei a 2ª temporada da série Pose. Uma narrativa das décadas de 80 e 90, que permeia a vida de gays e da população trans preta e periférica de Nova Iorque, vivendo à margem e numa luta contra o vírus da AIDS. Por mais disputas que houvesse entre as “Casas” nos bailes, a série nos provoca: quando um irmão ou irmã sofre, toda a comunidade vai à defesa, simplesmente por saber que o racismo e a LGTBfobia atingem a todes.

    Segue uma boa dica de como é desafioso para nós não permitirmos que esse jogo enfraqueça nossa militância e história. Li na internet que estão ameaçando o filho da CarolComka, um menino de 15 anos. O que ele tem a ver com os erros da mãe? Defendemos o Lucas, mas fazemos violência com outro jovem?

    Já temos dores demais, a cada corpo preto tombado e massacrado cotidianamente. Não podemos nos permitir a mais esse massacre orquestrado. Eles lucram e nós perdemos.

    Por fim, se eu pudesse dizer algo aos companheiros e companheiras que lá estão, traria um pouco da minha experiência profissional como educadora social. É muito fácil condenar, apontar o dedo, questionar um jovem negro periférico. Difícil e desafioso é estender a mão, num gesto concreto de fraternidade e acolhimento. É mais fácil desistir do que ter o trabalho de resgatar. Acredito que Lumena entendeu bem o recado nessa noite de domingo…

    Não permitamos que o BBB seja para nós mais um instrumento de massacre!

  • Magali Cunha
    Brasil 2021: Precisa-se de exorcistas!

     

    Brasil 2021: Precisa-se de exorcistas!

    Por Magali Cunha, membro da Igreja Metodista, para Carta Capital – 10 fev 2021.

    Dias atrás, participei de um curso com convidados para uma troca de experiências e aprendizados, sobre o livro de Marcos, da Bíblia cristã. Foi selecionado como texto motivador a narrativa em que Jesus chega à próspera cidade de Gérasa, sob dominação do Império Romano (Marcos 5). Lá, Jesus se encontra com um jovem “possesso de um espírito imundo”, que, por conta desta degradação, andava noite e dia entre túmulos de um cemitério e em montes, depois de ter sido, sem sucesso, acorrentado. O rapaz tinha o corpo muito ferido pois se automutilava com pedras.

    A narrativa do episódio é incrível! Quando Jesus ordena que o “espírito imundo” saia do corpo do jovem, ele pergunta o nome dele e a resposta foi “Legião”, denominação de uma das estruturas militares do Império Romano.

    Legião aceita a ordem de Jesus e pede que seja enviado aos porcos que pastavam ali perto. Porcos eram animais sagrados para os romanos e um dos símbolos do poder deste povo, tendo sido, precisamente, o símbolo da décima legião romana, a que controlava a região palestina a partir da Síria.

    Ao receber o “espírito imundo” a manada se joga no mar. Na cultura judaica da época, o mar era símbolo do mal, lugar das forças ocultas, sinal de caos, justamente o espaço de onde chegavam os invasores romanos. O rapaz é libertado e moradores da cidade, ao invés de se alegrarem com ele e com o feito, não gostam do ocorrido e pedem que Jesus vá embora dali.

    Quem lê este texto pode imaginar o quanto de reflexão rendeu à roda de conversa (quem quiser pode assistir à aula no Youtube https://www.youtube.com/playlist?list=PL60UuXuf5PlFdE_MTwfnsr1_wIFGkoPd8)!

    Eu contribuí com minhas experiências e impressões. Expressei o incômodo sobre a cidade ter preferido a degradação do jovem, “um endemoniado útil”, bode expiatório. Vejo como isto ocorre hoje com o sistema político-econômico, sustentado por religiões, que, para se manter, produz e alimenta desgraça e sofrimento dos seus integrantes.

    Também me instruí com a aula. Aprendi com o facilitador do curso, monge Marcelo Barros, que para as culturas antigas, o mal vem de uma entidade ou espírito. Várias religiões doutrinavam sobre um Deus do bem e um deus do mal. Profetas da Bíblia faziam uso da noção de espírito mau, uma energia negativa. No original grego do livro de Marcos, os textos falam de “pessoa com sopro mau” e não tanto de “espírito imundo”, como acabou sendo traduzido. Ao registrar o nome Legião e a opção pelos porcos e pelo mar, o texto dá o recado bem forte sobre quem soprava o mal. Por isso era importante perguntar o nome para se saber quem causava a degradação das pessoas, tirando delas sua consciência, sua dignidade e sua vida.

    Saí do curso pensando no Brasil de hoje e como nosso país está possesso do mal. Muita gente soprando o mal na política, na economia, na cultura, no meio ambiente e, o que soa pior, na religião.

    Assistimos, por exemplo, nestes dias, um vídeo produzido por um centro católico do Rio de Janeiro, com cenas maldosamente editadas de outros vídeos, com recortes fora do contexto original. Isto para que o advogado (!!) da organização acusasse a “Santa Igreja Católica” de se juntar a líderes da “demoníaca revolução protestante de 1517 que colocou o continente europeu a caminho do inferno”. Ele se refere à Campanha da Fraternidade, que será iniciada no próximo 17 de fevereiro, que terá a quarta edição em versão ecumênica (CFE 2021), uma parceria da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), com o tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz, do que era dividido, fez uma unidade”. https://diocese-sjc.org.br/wp-content/uploads/2021/01/Livreto-CEBs-CF-2021.pdf

    No vídeo, com uso indevido de imagens de outras organizações, o advogado sopra palavras de ódio contra a CFE 2021 e seus coordenadores (inclusive católicos), especialmente contra a pastora luterana Romi Bencke, secretária-geral do CONIC (que é enfatizada pelo advogado como “pastora entre aspas”), a quem ele alega estar, com a campanha, inserindo na “Santa Igreja Católica” pautas da “extrema esquerda revolucionária”. https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/solidariedade-a-pastora-romi-bencke-e-ao-conic/

    O homem, que não se identifica no vídeo, lista os “termos revolucionários” que considera ameaçadores no texto-base da CFE 2021: o enfrentamento por todas as igrejas do feminicídio, do racismo, da homofobia, da intolerância religiosa, da violência, especialmente a policial, do etnocídio indígena; o cuidado com o meio ambiente e a superação do aquecimento global; as medidas restritivas de prevenção à covid-19; e (pasme-se!) práticas de humanização das relações humanas pelo amor.

    O leigo católico chama a campanha de criminosa, de tragédia para a “Santa Igreja Católica” por conta de tratar estes temas listados acima (!!) e convoca a legião de seguidores do centro a que está ligado a boicotarem a campanha. De fato, há quem crie demônios para se alimentar deles, como na cidade de Gérasa.

    O vídeo maldoso acabou suscitando uma rede de apoio à CFE 2021 e uma série de pronunciamentos oficiais e ações de suporte e solidariedade ao CONIC e à pastora Romi Bencke. De fato, seguindo os passos de Jesus, há quem esteja sempre pronto a atuar no exorcismo de quem promove um “sopro do mal”.

    Lamentavelmente, este episódio, que envolve segmentos cristãos no Brasil, é um entre tantos. Há pessoas que conhecemos atacadas e ameaçadas por gente do próprio Estado por assumirem publicamente críticas ao sistema de degradação e de morte. O noticiário torna público o conluio entre juiz e procuradores que deveriam agir pela justiça, mas acabam promovendo linchamentos públicos de líderes políticos, seus bodes expiatórios, para tirarem vantagens e manterem o sistema injusto e indigno. Quem lê este texto deve estar lembrando de várias outras situações.

    Sim, precisamos de exorcistas deste sopro do mal que nos circunda e atinge! Precisamos também das redes de apoio e solidariedade para criar ações humanizadoras que promovam pessoas libertas, ou seja, conscientes, abertas, críticas diante das ideologias da morte.

  • Solidariedade à pastora Romi Bencke e ao CONIC

     

    Vimos a público manifestar nossa solidariedade à pastora luterana Romi Bencke e ao CONIC, que vêm sendo difamados nas redes sociais por grupos neoconservadores católicos. Nos últimos dias, fomos surpreendidos por vídeos em que a pastora Romi e o CONIC foram atacados por seu papel na concepção da Campanha da Fraternidade ecumênica deste ano, cujo lema é justamente a promoção do diálogo (“Fraternidade e diálogo: Compromisso de Amor”).

    A Campanha da Fraternidade ocorre no cerne da Igreja Católica do Brasil há mais de 50 anos e, a cada cinco anos, é elaborada pelo CONIC. Neste ano, foi pensada por um grupo de oito representantes de igrejas e movimentos cristãos brasileiros, entre eles: Igreja Católica Apostólica Romana, por meio da CNBB; Aliança de Batistas no Brasil; Igreja Episcopal Anglicana; Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Presbiteriana Unida; Sirian Ortodoxa de Antioquia; Igreja Betesda (igreja convidada); e CESEEP, organismo ecumênico.
    A campanha tem como objetivos: denunciar as violências contra pessoas, povos e a Criação, em especial, as violências cometidas em nome de Jesus; encorajar a justiça para a restauração da dignidade das pessoas, para a superação de conflitos e para alcançar a reconciliação social; animar o engajamento em ações concretas de amor à pessoa próxima; promover a conversão para a cultura do amor em lugar da cultura do ódio; e fortalecer e celebrar a convivência ecumênica e inter-religiosa. A campanha repudia o racismo, a misoginia e outras formas de violência que aprofundam a cultura de ódio, e, por isso, vem sendo chamada de “revolucionária” por seus detratores.

    O CONIC, que nasceu em 1982, em Porto Alegre, é um órgão que congrega igrejas cristãs de várias denominações. Um dos seus principais objetivos é fomentar um diálogo ecumênico que favoreça uma interlocução com organizações da sociedade civil e governo em prol de políticas públicas que viabilizem a paz e a justiça. O CONIC também possui forte atuação na defesa do Estado laico, entendendo que só um Estado que respeite a pluralidade e a diversidade religiosa é capaz de promover a paz em seu território.

    A pastora Romi Bencke, secretária-geral do CONIC, é a primeira mulher a assumir esse cargo no Brasil. Sua trajetória e seu serviço pastoral culminam nos valores que cremos e defendemos: a promoção do diálogo ecumênico/religioso e a defesa dos Direitos Humanos.

    Os grupos e organizações da sociedade civil que assinam essa nota atestam o compromisso da pastora Romi e do CONIC com os valores da paz, da justiça, do diálogo e do respeito às diversas crenças, e repudiam qualquer tipo de violência e difamação contra a pastora, os coordenadores da Campanha da Fraternidade, ou a Campanha em si.

    ABONG
    Católicas pelo Direito de Decidir
    Conectas Direitos Humanos
    Iser Asssessoria

    Para assinar:
    https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdqcutzz2tpRugSTeXEp7F0sn2CFbPKRlNSFXCF0PLyda7RPA/viewform

    Para ver quem já assinou: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/solidariedade-a-pastora-romi-bencke-e-ao-conic/

     

  • Dom Evaristo Spengler – O Tráfico de Pessoas é uma chaga aberta em uma sociedade sem empatia

    08 de fevereiro – Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas

    Dom Evaristo é Presidente da Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano

    Dom Evaristo Spengler comenta data contra o Tráfico de Pessoas

    Dom Evaristo Spengler, presidente da Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) da CNBB

    Dom Evaristo Spengler / Foto: Franciscanos

    Nesta segunda-feira, 8, celebra-se o Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas. O Papa Francisco, em uma mensagem em vídeo, reforçou o caráter desta data junto à sociedade contemporânea: dar um fim a este crime e promover uma economia que não use as pessoas com fins mercadológicos.

    “O tráfico de pessoas é uma chaga aberta em uma sociedade sem empatia, que deixa o lucro nortear todas as suas ações”, critica Dom Evaristo Pascoal Spengler, que responde pela Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “Nessa visão de mundo, movida pelo lucro, o ser humano é um mero objeto, do qual pessoas ou grupos podem se apropriar para gerar lucro”, reitera.

    A Igreja, segundo Dom Evaristo, sempre se postou veementemente contra este fenômeno. No entanto, de acordo com o religioso, foi em 2008 que a CNBB, após um seminário em caráter nacional, com a participação dos Regionais de todo o país, resolveu articular esta luta de maneira mais organizada. “Em 2009, avançou-se com a criação de um Grupo de Trabalho (GT) específico para articular o enfrentamento ao tráfico de pessoas. Um dos grandes frutos do trabalho desse GT foi a Campanha da Fraternidade de 2014 com o tema ‘Fraternidade e Tráfico Humano’, que despertou a Igreja do Brasil a abraçar essa causa. Em 2016, deu-se um novo passo com a criação da Comissão Episcopal Pastoral para o Enfrentamento ao Tráfico Humano”, explicou.

    Os aliados da Igreja

    São diversos grupos dentro da Igreja que trabalham para pôr fim ao tráfico humano. Existe a Rede ‘Um Grito Pela Vida’, da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Cáritas Brasileira, O serviço Pastoral do Migrante, o Setor da Mobilidade Humana da CNBB entre outros.

    “É importante frisar que a Igreja não faz o combate ao tráfico, isso pertence às forças de segurança do Estado. O trabalho do Estado compreende a prevenção, a repressão e a punição. A Igreja faz o enfrentamento. As principais ações da Igreja, nesse sentido, são a articulação com as diversas forças da sociedade; a capacitação de lideranças para atuarem no enfrentamento ao tráfico de pessoas; e atuar na prevenção, na incidência política e na denúncia. Muitos grupos da Igreja Católica fazem um belíssimo trabalho de acompanhamento às vítimas do tráfico”, advertiu Dom Evaristo.

    Além desses esforços, a CNBB publicou um manual, “Orientações Pastorais sobre o Tráfico de Pessoas”, no qual disseca todo o assunto e o posicionamento cristão nesta batalha contra o tráfico humano. “Convido a todos os cristãos que ainda não sabem como se engajar na luta contra o tráfico de pessoas a conhecerem esse texto. Ele ilumina a ação pastoral da Igreja que se posiciona a favor da liberdade e da vida, com preciosas orientações práticas que podem ser aproveitadas pelos diversos grupos pastorais”, disse Dom Evaristo.

    Mais igualdade social

    Os órgãos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e mesmo a Igreja reconhecem que a desigualdade social é um dos principais fatores que propiciam o tráfico humano. “Com certeza, o alvo preferencial dos traficantes são os mais vulneráveis, entre eles migrantes e pessoas desempregadas”, alerta o religioso. “Sem dúvida, um país e um mundo com maior justiça social, com menos desigualdades, com pessoas estabilizadas, com direito a estudo, trabalho, moradia e renda, faria diminuir esse problema”, reitera.

    Dom Evaristo, porém, afirma que a raiz deste mal é uma só: a busca pelo lucro exacerbado. “Enquanto o mundo deixar-se guiar pelo princípio do lucro e considerar a pessoa humana pelo que possui, sempre haverá aliciadores prometendo vida fácil, riqueza e fama a vítimas inocentes que confiam cegamente em promessas enganadoras. É tempo de a humanidade doente pelo lucro deixar-se curar pela fraternidade e pela solidariedade”, pondera.

    O tráfico humano durante a pandemia

    Ainda não há dados certos a respeito, mas é provável que a pandemia pode ter piorado o tráfico humano. “Ainda não temos os números finais do ano 2020, mas estudos preliminares apontam que com a pandemia do Coronavírus, ao invés de diminuir, aumentou a situação do tráfico no Brasil e no mundo”, lamenta Dom Evaristo. “Muitos países entraram em recessão, milhares de pessoas no mundo estão sem trabalho, fora da escola e sem apoio social. Isso é um indicador de que a situação do tráfico venha piorar ainda mais”.

    O presidente da Comissão Contra o Tráfico assegura que os cuidados da Igreja, especialmente nestes dias pandêmicos, foram redobrados. “A Igreja no Brasil está sendo incansável, durante a pandemia, em apoiar grupos vulneráveis, especialmente contribuindo na segurança alimentar. Contudo é visível em todo o país o aumento da fome, da exploração do trabalho infantil e da exploração sexual. Esses crimes estão naturalizados em nossa sociedade. Fechar os olhos para essa realidade é fechar os olhos para o tráfico humano que decorre deles e persiste como uma atividade crescente e invisível em nosso meio”, finaliza.

    Fonte: Thiago Coutinho para notícias.cancaonova – 8 de fevereiro de 2021.

  • CARTA DO MST AO POVO BRASILEIRO:
    Por mudanças urgentes! Em defesa da vida e da esperança!


    MST aponta lutas para próximo período em defesa da vida e dos direitos do povo brasileiro. Para isso, fora Bolsonaro é urgente e necessário

    Ancoradas e ancorados pela mística rebelde e cultivada com a cultura camponesa, a Coordenação Nacional do MST, no marco dos nossos 37 anos, reuniu-se de forma remota no período de 28 a 30 de janeiro de 2021, contando com cerca de 1000 delegadas e delegados de todo país, com o objetivo de analisar a conjuntura nacional, internacional, nos aprofundar no estudo da questão agrária, projetar a Resistência Ativa e a construção permanente da Reforma Agrária Popular.

    “Sonhamos para além de nós próprios” e dedicamos a nossa formulação e disposição de luta em solidariedade aos familiares das 222.666 pessoas mortas (oficialmente) na pandemia no Brasil. Entendemos, que essas mortes não são apenas causadas pelo vírus, mas é resultado da lógica de um mundo regido pelo neoliberalismo, onde o lucro está acima da vida. E, em meio a corpos em gritos de asfixia, cerca de 2 mil bilionários aumentaram suas fortunas para 12 trilhões de dólares. Apenas com o lucro, em 2020, das dez pessoas mais ricas no mundo, seria possível comprar vacina para toda população mundial.

    Mas, para os povos, a crise do capitalismo tem se agravado. E tem cobrado em destruição da natureza, em empregos e renda, e sobretudo em vidas humanas!  No Brasil, esse cenário se aprofunda sob o comando do governo Bolsonaro, que tem a pior gestão da pandemia no mundo. Chegamos a um cenário onde dos 100 milhões de brasileiros economicamente ativos, 14 milhões estão desempregados, 6 milhões desalentados e 40 milhões de pessoas vivem de “bicos”. São 60 milhões de brasileiros e brasileiras abandonados pelo Estado, expostos à violência e à fome, agravada pelo fim do auxílio emergencial e pela alta no preço dos alimentos. Volta Auxílio Emergencial!!

    A vacinação não está garantida para todos. E isso não é só incompetência, é projeto de morte, de quem despreza a vida do povo brasileiro! A situação de Manaus e de outros estados, sem oxigênio, sem médicos e insumos, é um crime de Estado. Queremos respirar! Vacinação já!! Para todos e todas, gratuita e garantida pelo SUS! Portanto é urgente a revogação da Emenda Constitucional 95, que impôs cortes para a saúde pública e a educação.

    Contudo, sabemos que não será garantido pelo projeto de morte, e o povo brasileiro tem se manifestado em resistência. Já são 66 pedidos de impeachment protocolados no Congresso. Exigimos que o presidente da Câmara respeite a vontade popular e coloque o Impeachment em votação. Jamais esqueceremos os nomes de todas as autoridades que silenciam ou colaboram com o assassino que está no poder. Estamos atentos e exigimos a restituição dos direitos políticos de Lula. E não recuaremos diante das ameaças de rompimento com a democracia.

    O Fora Bolsonaro é urgente e necessário! Não podemos esperar! Chegou a vez do povo! 2021 trouxe um novo clima político protagonizado pelas forças populares e de esquerda, reunidas pela Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, demonstrando que é possível combinar cuidados sanitários com ações simbólicas. Daqui pra frente, não daremos trégua, voltaremos às ruas com nossos carros, bicicletas, carroças e muita indignação. Seguiremos em luta no mês de fevereiro e em março seremos tomados pelos aromas das lutas do 8 de março.

    Portanto, convocamos toda a classe trabalhadora a construir as bandeiras de lutas:
    A luta pela Vacinação Já!  Volta Auxílio Emergencial!  Fora Bolsonaro!

    Exigimos a derrubada dos vetos presidenciais ao auxílio aos povos do campo!
    Denunciarmos que a volta às aulas é crime. Aulas se recuperam, vidas não!
    Defender o SUS e revogar a Emenda Constitucional 95!

    Nesse sentido, nos comprometemos em organizar o Fora Bolsonaro em todos os municípios que temos acampamentos e assentamentos, dialogando com o povo e defendendo a vida, produzindo alimentos saudáveis para amenizar os efeitos da crise junto ao povo, como 4 milhões de quilos de alimentos doados em 2020.

    Seguiremos inspirados no exemplo de Paulo Freire em seu centenário e seguiremos firmes com o seu legado, produzindo alimentos saudáveis, plantando árvores, fazendo formação política, organizando nossa Jornada de Formação e Trabalho de Base e contribuindo com as ações de solidariedade nas periferias urbanas junto com outros movimentos populares e parceiros da nossa luta.

    Reafirmamos a nossa solidariedade com todos os povos em luta no mundo e que estão resistindo à políticas de neocolonialismo, do imperialismo e de aumento da exclusão e da migração forçada. Nos solidarizamos com os povos do campo, das águas e das florestas em luta! Nos somamos à luta contra o racismo, contra a LGBTfobia e contra o patriarcalismo em todo mundo! Prestamos nossa solidariedade aos camponeses e camponesas da Índia que estão em luta há diversas semanas.

    Seguimos na Resistência Ativa, nos nossos territórios enfrentando as políticas de desmonte da reforma agrária e as tentativas de privatização das terras, contra a entrega de 25% de cada município para o capital estrangeiro, a regularização da grilagem e a apropriação dos bens naturais. Denunciamos o modelo do agronegócio e da mineração como grandes culpados da eclosão das pandemias, por seu modelo de destruição das florestas e da biodiversidade, e da produção animal em escala industrial. “Porque lutar para nós é fazer aquilo que o povo quer ver realizado”.

    Seguiremos nos articulando no Brasil e em nível internacional com todas as forças sociais e populares que querem construir uma sociedade baseada na solidariedade, na igualdade e na justiça social. Uma sociedade socialista!

    Vamos à luta com nossas bandeiras!
    Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!

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