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Novos Paradigmas para um outro mundo possível

O projeto “Novos paradigmas para um outro mundo possível”, iniciativa da Abong junto com o Iser Assessoria, organizou um Encontro Internacional durante o Fórum Social Mundial nos dias 14 e 15 de março de 2018 em Salvador. Participaram 250 pessoas, de 25 países, a maioria da América Latina, mas também da Europa, da África e da América do Norte.

Houve painéis pela manhã, com intervenções e debates, e doze oficinas sobre práticas alternativas à tarde, onde os participantes puderam expor e discutir suas experiências concretas. Uma síntese destas oficinas acaba de ser publicada em formato de cartilha.

Reunimos neste livro textos de participantes e de outros convidados onde estão presentes a crítica do paradigma dominante e elementos para pensar a transição para outra concepção de sociedade. Os primeiros artigos abordam as condições para uma mudança sistêmica e que elementos são fundamentais para que ela ocorra (Nilles, Bourban e Knecht), as características do novo paradigma eco-cosmo­lógico (Leonardo Boff), a contribuição do “bem viver” dos povos indígenas, assim como seus limites e a necessidade de outros aportes (Pablo Solon). Juliana Malerba discute a questão dos (bens) comuns como criação histórica, como resultado de decisões políticas em favor da coletividade. Afonso Murad analisa a felicidade, o “viver bem” e o con­sumo, confrontando a concepção capitalista de felicidade com a “sobriedade feliz” presente na Laudato Sí do Papa Francisco.

Marcos Arruda critica a concepção de desenvolvimento como “crescimento econômico” e propõe um outro enten­dimento, que se refere a “um processo de fazer prosperar potencialidades que estão presentes em cada pessoa, cada família, cada comunidade, cada povo e a espécie humana como um todo, dentro do contexto maior da vida na ter­ra e no universo”. Tania Ricaldi analisa o reducionismo e a depredação que estão por trás do modelo de desenvolvi­mento e discute a transição paradigmática e a diversidade de propostas de alternativas ao desenvolvimento. A FASE, num texto de autoria coletiva, discute as armadilhas do pa­radigma do desenvolvimento e analisa como se poderia dar a transição para uma nova matriz produtiva.

Dowbor faz uma crítica da política econômica do perío­do recente, mostrando as razões pelas quais seus resultados são desastrosos e ainda vão piorar se as medidas propos­tas pelo atual governo forem implementadas. A austerida­de, demonstra o autor, não funciona e nunca funcionou: a economia trava ao invés de expandir. Segundo ele, existem outras possibilidades, mais sensatas e capazes de gerar sus­tentabilidade e bem estar social.

Finalmente, Roberto Malvezzi e Ivo Poletto retomam a questão da água nos dias atuais, um período em que a Amazônia e o Cerrado – biomas que são fonte de águas e de chuvas – estão sofrendo duros ataques, ao mesmo tempo em que iniciativas vindas de baixo mostram o caminho para a solução.

Neste momento crucial da humanidade onde o limite do atual modelo de desenvolvimento coloca a existência da raça humana em perigo é fundamental refletir e apontar caminhos que possam mudar de forma radical e urgente os rumos de nossas práticas predatórias do meio ambiente e das condições que sustentam nossa vida na terra. O Projeto

Novos Paradigmas para um outro mundo possível se insere neste esforço que, sabemos, não é só nosso. Esperamos estar contribuindo para a construção de uma transição para outro modo de vida, sustentável porque integrado com a natureza e, principalmente, que a transição para este modelo possa ser realizada de forma pacífica, democrática. Fi­nalmente, agradecemos a Misereor, a Fastenopfer e a DKA, seus apoiadores e suas equipes de trabalho pelo apoio dado a mais essa iniciativa.
Acesse o livro em PDF:
https://drive.google.com/open?id=1kQL6xXYSpPJMzXxTkbGo0H4Ykh0AKLw1

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